Um dos fatores de grande importância na formação da personalidade do individuo é a sua cultura musical, que pode carregar emoções e experiências, positivas ou negativas.
Estudos demonstram como o cérebro é influenciado pela música, já ao nascer, bebês conseguem distinguir escalas musicais, são capazes de reconhecer canções e seu cérebro nasce pronto para decifrar musicalmente o mundo. Robert Zatorre, professor do Instituto Neurológico de Montreal, diz que a música se tornou alimento da neurociência.
Á música pode gerar grande satisfação ou prazer, Robert Jourdain em seu livro Música, Cérebro e Êxtase, explica como é possível alcançar o prazer ouvindo música:
A liberação aumentada de neurotransmissores como a Noradrenalina e a Dopamina produzem efeitos em todas as partes do sistema límbico e do córtex cerebral. Um dos efeitos, no sistema límbico, é a estimulação do centro de recompensa (área tegmentar ventral, núcleos septais e núcleo accumbens) o que produz prazer. Podemos dizer então que tudo que produz prazer tende a ser repetido. (Robert Jordain, Música, Cérebro e Êxtase, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1998)
A música comercial apropriou-se dessa fórmula para vender mais e mais, e a cada dia que se passa molda indivíduos segundo a sua necessidade. A mídia com o seu forte poder tem administrado ao longo dos anos essa fórmula de manipulação, a revista Veja publicou uma reportagem a respeito, cujo tema abordado era as influências musicais na infância:
Ouvir Mozart na infância certamente ajuda a ouvir Mozart na idade adulta – mas não traz necessariamente outros ganhos cognitivos. O que esses estudos ressaltam é a plasticidade do cérebro, a maneira como ele é moldado, muito concretamente, pela experiência individual. Não é só estudar música que resulta em diferenças relevantes. O tipo de aprendizado importa. Uma experiência com violinistas e trompetistas mostrou que a ativação do córtex auditivo é maior quando eles ouvem seus respectivos instrumentos. Outra pesquisa aponta que crianças chinesas têm mais chance de adquirir ouvido absoluto, que identifica automaticamente a altura de qualquer nota. Não pela raça, mas porque crescem ouvindo chinês, língua com grandes variações tonais. (VEJA,26/09/2007, pág.102).
1- Os Primórdios
O som sempre existiu, quase que instintivamente sendo natural ao homem, toda vez que ouvimos um som podemos rapidamente associá-lo a uma imagem. Para sobreviver o homem primitivo precisava ficar atento a todos os sons, o som era seu aliado, uma vez que este apresentava perigo o instinto de proteção era acionado, ou quando estava com fome ajudava a capturar seu alimento.
Sociólogos acreditam que a evolução do homem aconteceu pelo som. Para se comunicar utilizavam de desenhos em cavernas, estudos informam que os primeiros meios de comunicação se davam por desenhos, eram feitos onde havia uma maior repercussão do som, e sem estas marcar seria quase que impossível entendermos o desenvolvimento do homem. Todos os livros de arte sempre vêm de pinturas rupestres, a imagem reflete geralmente refletia a realidade ou um pensamento (JANSON, Anthony, Iniciação a História da Arte, Editora Martins fontes, 2007).
Alguns escritores associam a música ao sexo, dizem que é desnecessário porque é opcional, mas os motivos para o sexo são óbvios. Precisamos nos reproduzir (JORDAIN, Robert, Música, Cérebro e Êxtase, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1998).
2- Música um fato cultural
Quem nunca ouviu falar de Beethovem, Vivaldi ou Mozart os grandes mestres da música nos deixa claro que música não é somente um rítmo ou barulho, vai além da emoção, podendo ser denominada de música intelectual, cuja por sí própia narra um fato conforme o registro de vida de cada pessoa.
Não são todas as pessoas que degustam da música intelectual. Em especifico os jovens e adolescentes que todos os dias são bonbardeados pela mídia, por músicas que os levam agir de forma imprevisíveis, muitos são submetidos desde sua infância a músicas que trabalham com emoção, um exemplo é o Rock Roll.
O estilo de música Rock Roll afeta o sistema nervoso central (Córtex Pré-frontal, Sistema Límbico, Cerebelo e Medula Espinhal) e podem produzir euforia, convulsões, transe, hipnose, tolerância e vício, (Roger Liebi, Rock Music! The Expression of Youth in a Dying Era, Zurich, 1989).
É dificil ficarmos imunes a esses tipos de músicas, uma vez que fazem parte da nossa vida, o que podemos fazer é selecionalas melhor, é neste momento que o sentido critíco do homem deve prevalecer, o nosso eu conciente. A música mente e é este fato que leva vários jovens e adolescentes a agirem de forma não prevista.
3- A influência da mídia na música e sociedade
A televisão, impressos, internet e o rádio influenciam e muito a sociedade moderna, isso começou com João Gutenberg inventor global da prensa móvel (1439), antes da descoberta os livros eram escritos pelo clero , Sacerdotes e Filósofos demoravam meses e muitas vezes anos para escreverem um livro, o papiro era muito caro, e só após muito tempo se descobriu o papel, a Bíblia é um exemplo, pois demorou para ser escrita. Os livros da Bliblia foram escritos por muitos autores diferentes, levou se aproximadamente 1.600 anos para ela ser concluída em três linguas diferentes (grego, hebraico e aramaico).
Com a criação da Imprensa a humanidade evoluiu, o rádio era utilizado a princípio pelas forças militares, eram de grande impotância, pois ajudava na comunicação e informava situações de perigo, logo após tornou-se alvo de comerciantes e políticos.
O rádio dispertou interesse do Governo e da mídia (1916), apartir deste momento a sociendade não fora a mesma. A música começou a ser entreternimento mas apenas para poucos, de início era somente para grande sociedade, em pouco tempo vários lugares já eram alcaçados pelas frequências radiofônicas. Em busca da felicidade foi a novela que marcou a era do rádioteatro, a novela ficou quase dois anos no ar, os sons produzidos eram como que realísticos, a fantasia era somada ao sons ambiente, conhecidos hoje como sonoplastia.
O cinema apropiou-se de todos esses conhecimentos, que até então eram mudos, conhecidos como cinema mudo, e depois de algum tempo viram a necessidade da sonorização em seus filmes, o primeiro filme sonoro foi o Cantor de Jazz, com All Jolson (1927). Hoje é quase impossível irmos ao cinema ou assistirmos um filme em casa sem som e música. Alguns até marcam épocas, nos fazem lebrar da nossa infância ou nos levam para o futuro. Com a chegada da tecnologia 3D tudo parece real, induzindo a todos viver uma realidade que não existe.
Não podemos esquecer que a televisão faz parte da maioria das casas, e utiliza este meio para induzir pessoas, as novelas procuram levar um estilo de vida muitas vezes não existentes, a ferramenta utilizada para causar emoção e aceitação são as músicas elaboradas exclusivamente para este fim.
4-Considereções finais
E é por esse motivo que hoje a música não é somente um bem cultural, passou a ser uma regra matemática, com cifras específicas para influenciar mentes ao que querem, através do controle das emoções.
Vale ressaltar que existem músicas que mesmo com o passar dos anos continuam intactas, um exemplo é a música sacra, uma parte da longevidade dessas músicas é devida a imagem ser construída de mitos, estereótipos, não raro alimentados pelos próprios criadores.(Joseph Campbell, O poder do mito. Editora Palas Athena, São Paulo SP. 1990).